O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, previu um crescimento acima de 4% da economia brasileira em 2001. Fraga participa de audiência pública na Câmara para explicar o impacto e o custo fiscal das operações do Banco Central, que este ano apresenta um superávit de R$ 309 milhões.
Os deputados estão questionando o déficit de R$ 13,5 bilhões em 1999. Na proposta do orçamento para 2001, apresentada pelo Executivo ao Congresso, estão previstos R$ 15,5 bilhões para cobrir esse déficit. Só para se ter uma idéia, o Governo destinou R$ 11 bilhões para todas as ações do Sistema Único de Saúde (SUS) para o ano que vem.
Fraga argumentou que esse déficit foi provocado principalmente pela variação cambial (desvalorização) promovida no início de 99.
Segundo Fraga, as pesquisas de consultoria demonstram convergência entre as metas de inflação projetadas pelo Banco Central e os índices que deverão ser realizados. A projeção é de uma inflação de 4% em 2001 e de 3,5% em 2002. "O câmbio está se mostrando mais maduro e estamos percebendo que o regime de taxas flutuantes é compatível com o sistema de metas de inflação e com a estrutura da economia brasileira", explicou o presidente do Banco Central.
Fraga afirmou que o Governo vai continuar trabalhando para reverter o viés antiexportador brasileiro. "As empresas brasileiras estão apresentando ganhos de produtividade, mas estes resultados estão sendo anulados pelo custo financeiro e pela dificuldade de infra-estrutura que o País apresenta. O déficit de conta corrente no balanço de pagamentos vem caindo e está sendo financiado cada vez mais por um capital de longo prazo", acrescentou ele.
Por Maristela Sant’Anna e Patrícia Gonçalves/CQ