Analisar experiências brasileiras e internacionais em programas de renda mínima vinculados à educação, propor medidas de aperfeiçoamento dos programas e identificar mecanismos e recursos para a sua expansão. Com este objetivo, a Comissão de Educação, Cultura e Desporto iniciou hoje o "Seminário Nacional - Renda Mínima Vinculada à Educação", com apoio do Ministério da Educação (MEC) da Unesco.
O presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), revelou a intenção de colocar em votação no Plenário, até o dia 15 de dezembro, a Proposta de Emenda Constitucional 249-A/00, que cria o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza.
Participaram da abertura do Seminário o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, autor da proposta de criação do Fundo de Combate à Pobreza, e o presidente da Comissão de Educação, Pedro Wilson (PT-GO).
Coordenador do evento e autor do programa de renda mínima estabelecido pela Lei 9533/97, o deputado Nelson Marchezan (PSDB-RS) destacou que 25% das crianças brasileiras estão excluídas do processo educacional, sendo que mais de três milhões de crianças deixam as escolas e quatro milhões repetem a mesma série. "Para combater essa situação, o programa de Renda Mínima já foi implantado em 2.000 municípios, mas ainda faltam 3.000", advertiu.
De acordo com a Lei 9533, o programa é implantado no município pelo respectivo prefeito, a partir de um apoio financeiro, concedido pela União, de 50% do valor total do benefício, sendo que o restante, no mínimo 50%, é de responsabilidade do município, que pode optar por contribuir com ações socioeducativas. Marchezan explicou que o dinheiro sai do Orçamento e vai direto para as famílias. O valor médio mensal do benefício, por família, tem sido de R$ 36,88.
Na opinião do representante do presidente Fernando Henrique Cardoso e do MEC, Luciano Oliva Patrício, o programa alia assistência social, no presente, a investimento, no futuro, com formação de adultos melhor inseridos no mercado de trabalho e com uma distribuição de renda melhor. "O sucesso de iniciativas como esta, desde 99, levou o Governo Federal a apostar no programa de renda mínima como um dos pilares do Projeto Alvorada", afirmou Oliva Patrício. O "Projeto Alvorada" é o ex-"IDH-14", programa que criado para ajudar os estados brasileiros com menor Índice de Desenvolvimento Humano.
Mais Pobres
O presidente do Senado Federal, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), chamou atenção para o aumento da pobreza em 1999 e lembrou que dados do Ipea revelaram que no ano passado o Brasil passou a contar com mais um milhão de pobres. "São hoje 54 milhões de pessoas nestas condições, fazendo com que a população pobre tenha crescido de 33% para 35% dos brasileiros". Embora o número de indigentes tenha caído de 13,9 milhões para 13,6 milhões, o presidente do Senado não vê motivo para comemorações, pois não considera uma redução significativa.
Magalhães acha que não basta o crescimento econômico por si só, sem a distribuição efetiva de renda. "O Orçamento para 2001 procura aumentar investimentos na área social, como o investimento de R$ 1,128 bilhões previsto para ser aplicado de acordo com a Lei 9533", afirmou.
No que diz respeito à educação, o presidente do Senado disse que a baixa produtividade no trabalho está relacionada aos também baixos índices de educação. Segundo ele, se a escolaridade de oito anos for garantida a todas as crianças na faixa de idade do ensino fundamental, a pobreza diminuirá 13%.
Autor da primeira proposta do programa de renda mínima, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), destacou que programas de renda mínima foram usados em vários lugares do mundo, durante o século XX. Nos Estados Unidos, observou, desde os anos 30, está previsto o auxílio a pais que têm filhos dependentes e, desde 1975, há um crédito fiscal, na forma de Imposto de Renda Negativo. "Na América Latina, desde as décadas de 40 e 50, há institutos que estabelecem a complementação de renda de famílias carentes, sendo que, no Brasil, a idéia já existe desde 1975", informou o senador, autor de um projeto de renda