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Comissão do Mercosul reúne-se com Câmara Brasil-EUA

De: ACam - 14/12/2001 15h57 (original)

A decisão dos deputados americanos que permite ao presidente George W. Bush realizar acordos comerciais sem autorização prévia do Congresso inviabiliza a criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Esta posição foi transmitida a empresários americanos por integrantes da Representação Brasileira na Comissão do Mercosul, durante audiência, na última terça-feira (11), da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos com o presidente da Comissão, senador Roberto Requião (PMDB-PR).

O presidente da Câmara Brasil-Estados Unidos, Van Angel, e o vice-presidente executivo, Mark Smith, acompanhados de empresários americanos e brasileiros, procuraram a Representação Brasileira na Comissão do Mercosul para esclarecer que "tão importante quanto a Alca, para as relações comerciais dos Estados Unidos, é o fast track - aprovado pela Câmara dos Representantes e pendente de votação no Senado". Com sede nos Estados Unidos, a Câmara reúne empresários americanos e brasileiros com interesses comerciais nos dois países.

ABERTURA

Durante a conversa, o senador Requião sustentou que o Congresso Nacional é francamente a favor da abertura comercial. "O que lamentamos, no entanto, é que, por ironia do destino, os Estados Unidos não sejam favoráveis a essa abertura, quando aprova um 'fast track' isolando 282 produtos brasileiros".

Já o secretário-geral da Comissão do Mercosul, deputado Feu Rosa (PSDB-ES), argumentou que "ao contrário de anos atrás, hoje a balança comercial brasileira é favorável aos EUA e estamos tratando de 300 produtos muito importantes para o Brasil, nos quais somos competitivos".

EXPERIÊNCIA TRAUMÁTICA

Para o senador Arlindo Porto (PTB-MG), ministro da Agricultura no período de 1996 a 1998, a grande preocupação brasileira é a repetição da experiência traumática do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). "Em mais de 10 anos, o Brasil nada ganhou na OMC, então o nosso temor é que isso se repita com a Alca", afirmou Porto aos representantes da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. "Nos interessa exportar produtos que possam ter valor agregado e relação econômica com os países, por isso é fundamental discutir regras para essas relações comerciais antes de assinar a Alca", defendeu Arlindo Porto. Os dirigentes da Câmara Comercial reiteraram que "é impossível discutir tais assuntos antes de se criar a estrutura da Alca".

TERMOS DO "FAST TRACK"

Pelos termos do "fast track", George Bush terá de manter e ampliar os mecanismos protecionistas que prejudicam exportações brasileiras, como os subsídios à agricultura e a aplicação de medidas anti-dumping. Essas medidas podem impossibilitar o Brasil de obter alguma vantagem comercial na Alca.

Da Redação/ RCA

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