Em audiência pública ontem na Comissão de Educação, Cultura e Desporto, foi apresentada a proposta da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que permite a utilização simultânea dos sistemas operacionais Linux e Windows no programa de informatização das escolas. O "Telecomunidade" é financiado com recursos do Fust - Fundo de Universalização das Telecomunicações - e tem como meta a instalação de 250 mil computadores em 12.500 escolas públicas de ensino médio no País.
O programa Telecomunidade da Universidade Federal de Minas Gerais deveria ter sido implantado este mês mas foi transferido para fevereiro de 2002. O adiamento se deve à indefinição sobre o sistema operacional a ser utilizado: o Linux, sistema aberto que pode ser aperfeiçoado e personalizado, ou o Windows, sistema fechado. O Governo já havia optado pelo Windows, mas durante a votação do Plano Plurianual - PPA, os deputados aprovaram emenda determinando que o programa financiado com recursos do Fust deveriam utilizar preferencialmente software livre.
LINUX/WINDOWS
Para acabar com o impasse, a UFMG está propondo uma alternativa. Os cientistas do Departamento de Ciência da Computação da instituição desenvolveram uma plataforma que aceita os dois sistemas, com uma redução de 31% nos custos com aquisição de máquinas, programas e manutenção.
"Na verdade, o melhor para o País são os dois sistemas. Ambos tem suas vantagens", declarou Sérgio Vale, cientista da UFMG.
Para o secretário de Educação a Distância do Mec, Pedro Popovic, a proposta parece interessante mas é preciso examinar os custos. "Os custos são amplamente favoráveis à Microsoft. Mas fazer modificação radical em um sistema envolve treinamento de pessoas. Já treinamos 150 mil. Para treinar de novo sai caro. Os estados vão ter que pagar e é por isso que eles são contra".
Para os deputados a alternativa apresentada pela Universidade é viável e os estados é que devem decidir qual dos sistemas utilizar.
O deputado Walfrido Mares Guia (PTB-MG), presidente da Comissão de Educação, informou que quatro estados já fizeram a opção pelo Linux e 21 pelo Microsoft. " a primeira impressão do programa é que terá ônus, mas se houver acréscimo no custo, será bem menor em relação aos benefícios de ter acesso a dois sistemas simultaneamente".
Por Karla Wathier/ RCA