Parlamentares brasileiros estão desde ontem participando em Montevidéu, no Uruguai, da 18ª Reunião de Cúpula do Mercosul. O deputado Feu Rosa (PSDB-ES), secretário-geral da representação brasileira na Comissão Parlamentar Conjunta do Mercosul, classifica o encontro como mais um passo para consolidar o bloco econômico. A reunião prossegue até a próxima sexta-feira.
Feu Rosa, que está participando das negociações no Uruguai, disse que serão fixadas regras básicas para o funcionamento do bloco, a partir da escolha de presidências e secretarias setoriais da Comissão Conjunta.
Afirmou também que, ao final do encontro, os países-membros deverão lançar um documento mostrando a preocupação do bloco com o chamado "fast track", em discussão no Congresso dos Estados Unidos e que impõe restrições à importação de produtos do Mercosul. "Segundo o conjunto dos países aqui presentes, principalmente o Brasil, são restrições indevidas, que vão atrasar o andamento da Alca e fortalecer os elos do Mercosul, assinalou o parlamentar.
ACORDOS AUTOMOTIVOS
Quanto à discussão sobre o comércio entre os países do Mercosul, que inclui a revisão dos acordos automotivos, Feu Rosa lembrou que no momento o debate não deve avançar porque o maior parceiro comercial do Brasil - a Argentina - enfrenta sérias dificuldades econômicas. "Nós estamos com propostas da indústria automotiva, mas todo mundo está com receio de levar adiante o assunto porque a situação está muito difícil do lado da Argentina. Então, temos de ter a independência desenvolvida de tal maneira que a situação do país vizinho não nos atrapalhe".
POTENCIAL AGRÍCOLA
Outra discussão que o deputado considera importante durante o encontro é a definição de uma política agressiva para promover a exportação agrícola do Mercosul, já que esse é o setor do bloco econômico que tem maior potencial exportador. Segundo dados do Ministério da Agricultura brasileiro, a participação do Mercosul no comércio mundial é de apenas 1,4%.
Feu Rosa disse ainda que, durante o encontro, a discussão sobre a entrada do Chile e da Bolívia no Mercosul também pode avançar.
Por Alexandre Pôrto/ RCA