Brasília, 05/08/2005 - O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato participou hoje (05) do programa de entrevistas do apresentador Jô Soares, na Tv Globo. Na entrevista - que foi ao ar a partir da 1h20m da manhã - Busato aborda a crise política do país, a série de invasões de escritórios de advogados por parte da Polícia Federal, os cursos jurídicos no país e até atividades desenvolvidas antes de se formar em Direito.
Eis, na íntegra, a entrevista de Busato no programa Jô Soares:
"Jô Soares: Eu vou conversar agora com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, a OAB, Roberto Busato. Doutor Roberto, o senhor viu ? vamos falar aqui dos episódios recentes ? o Valdemar Costa Neto renunciando. Você tem medo que esse exemplo, de repente, seja seguido por outros deputados, ou seja, a prática de renunciar para depois ser reeleito?
Roberto Busato: É, essa prática, Jô... Primeiramente, é uma satisfação estar contigo aqui.
Jô Soares: Obrigado.
Roberto Busato: E poder conversar nesse programa que atinge o Brasil todo.
Jô Soares: Obrigado.
Roberto Busato: É uma prática que não é recomendável, uma prática absolutamente fora de propósito. Visa se evitar o processo político, mas o processo jurídico deve permanecer. Ele deve responder pelos seus atos. E o próprio Partido dos Trabalhadores está alertando que aqueles que fizerem...
Jô Soares: Isso eu achei ótimo.
Roberto Busato: O presidente Tarso Genro me parece que está bastante adequado para o momento que nós vivemos.
Jô Soares: Concordo.
Roberto Busato: Em que se exige uma postura ética dentro da política brasileira, de não dar legenda àqueles que renunciarem. É uma prática que, realmente, não ilustra para o Brasil.
Jô Soares: Tem umas coisas que não me entra muito na cabeça. Por exemplo, você descobre que o seu contador está lhe roubando. Aí você manda ele embora, já não preenche mais, manda embora. Ou, então ? é uma coisa muito rara ? você consegue que ele seja preso. Ele vai preso durante dois anos. Aí, cinco anos depois ? ele já roubou você, e tudo, já foi preso ? você emprega esse homem de novo?
Roberto Busato: Não.
Jô Soares: Não. Agora, na cassação política, ela é mais ou menos isso, porque a pessoa é cassada depois de ter mexido com o dinheiro dos cofres públicos, com o dinheiro, ali, que é para outros fins e não para as pessoas se locupletarem dele. Aí, oito anos depois pode voltar de novo. Quer dizer, apaga... Quer dizer que, nesses oito anos, aprendeu que não se deve mexer nos cofres públicos, é isso?
Roberto Busato: O brasileiro, ele se esquece muito fácil das coisas, principalmente no campo político, e acaba esquecendo, às vezes até mesmo um ano depois, em quem votou. E é por isso que a gente rende homenagens a pessoas como o senador Saturnino Braga (presente ao estúdio), que tem uma vida extensa junto à política e que é lembrado. Essas pessoas é que ainda nos fazem acreditar num futuro melhor para o país. Mas é necessário que haja uma cidadania ativa, Jô. É necessário que o povo de hoje aprenda essa lição que está acontecendo, para se lembrar, exatamente quando chegar a hora de votar, e deixar de lado esse tipo de político que não serve em nada à Nação brasileira.
Jô Soares: Mas, olha... Aliás, eu vou (...) um pouco. Eu conversei ontem sobre isso e estou mandando essa pergunta, assim, para várias pessoas. Você não acha, também, que o que faz com que o eleitor não acompanhe tanto o seu eleito é que as leis, no Brasil, nesse sentido, são muito complicadas? Por exemplo: ?Não, mas o eleitor é quem tem que vigiar se o sujeito fez aquilo ou fez aquilo?. Mas, por exemplo, no caso, quando aconteceu a renúncia do Valdemar Costa Neto, chegou a surgir a hipótese de que aí não haveria mais depoimento na Comissão de Ética, porque já que ele tinha renunciado não havia mais o caso em si, e tal, o José Dirceu não precisa ir e, logo, o Roberto Jefferson também estava isento de ir. É uma coisa tão complicada. A nossa própria Constituição não é um pouco complicada e