Brasília, 09/12/2005 ? O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil, Roberto Busato, abriu hoje (09) a última reunião deste ano do Colégio de Presidentes de Conselhos Seccionais da OAB, fazendo um balanço de sua gestão ? que termina em 1° de fevereiro do próximo ano ? e sustentando que a missão de seu sucessor na presidência da entidade será ?acompanhar e participar da reconstrução moral, política e institucional deste País?. Para Busato, essa reconstrução é ?premissa básica para a realização do sonho de todos nós ? a superação das desigualdades, a construção de um Brasil mais justo e próspero, um País que volte a acreditar em si mesmo?.
O presidente nacional da OAB disse que o país precisa melhorar, e muito, sobretudo no que diz respeito ao padrão moral de comportamento de seus agentes políticos. Mas, para ele, ?o país avança na medida em que os malfeitos dos governantes vêm à tona, e cada vez virão mais?. Na sua opinião, a reeleição do presidente da República não detém o processo investigativo em torno dos escândalos que pontuaram o seu primeiro mandato e que encontraram na OAB uma instituição de vigilância e crítica.
?Em meio a tantas turbulências no processo político nacional, nós, da OAB, conseguimos a proeza de estabelecer uma presença crítica e ativa, acima do varejo partidário e longe do contágio das paixões ideológicas?, sustentou Roberto Busato. Em seu pronunciamento aos presidentes de Seccionais da OAB, ele afirmou que a entidade deve manter sempre seu compromisso com a cidadania e com a integridade das instituições republicanas. Ele voltou a defender a necessidade de uma reforma política no País, como ?a mãe de todas as reformas?.
A seguir, a íntegra do discurso de Roberto Busato ao Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB:
?Senhoras e senhores presidentes
Quero que minhas palavras iniciais, neste encontro derradeiro deste colégio de presidentes, nesta minha gestão, sejam de esperança e alento.
Por maiores que tenham sido os problemas enfrentados ? e sabemos que não foram poucos -, vencemos mais uma etapa do processo democrático, com eleições livres e diretas para as principais instâncias administrativas do país.
Divergências houve, tivemos mesmo momentos mais acalorados, mas aqui estamos, pacificamente, a aguardar mais uma transição de poder no Brasil.
Não há dúvida de que o país precisa melhorar ? e muito. Sobretudo no que diz respeito ao padrão moral de comportamento de seus agentes políticos.
Mas não há dúvida também de que a população está cada vez mais atenta, crítica, de olho em suas instituições, que, por sua vez, reconhecem cada vez mais a necessidade de interlocução com a sociedade. Não há mais espaço para torres de marfim na administração pública, em nenhum dos três Poderes.
O país avança, na medida em que os malfeitos dos governantes vêm à tona. E cada vez virão mais. Só assim terá a sociedade condições de avaliar e postular as mudanças necessárias.
A reeleição do Presidente da República não detém o processo investigativo em torno dos escândalos que pontuaram o seu primeiro mandato.
As instituições funcionam a pleno vapor e hão de dar conta do que ficou pendente. Democracia é isto: transparência, respeito à lei e à ordem. Autonomia e eficiência das instituições.
Caminhamos nessa direção ? e uma das missões fundamentais da Ordem dos Advogados do Brasil é funcionar nesse processo como o olhar crítico e vigilante da sociedade civil.
Portanto, meu sucessor, não tenho a menor dúvida, dará seqüência a todo esse trabalho que marcou esta administração prestes a findar. E o que nos dá autoridade moral para exercer essa vigilância cívica, estabelecida em nosso Estatuto, é a nossa prática.
Não podemos apenas dizer, recomendar, exigir. Precisamos praticar o que falamos. Diz o provérbio chinês que mais vale um grama de exemplo que uma tonelada de palavras. Esse deve ser nosso lema e paradigma. Acima de tudo, coerência e similitude entre discurso e prática.
Nesse sentido, conseguimos, no Conselho Feder