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Sem espaço para a síndrome do preconceito

Promover o respeito às diferenças e garantir o direito que todos têm de preservar sua identidade única, com as limitações e habilidades de cada um. Este é o objetivo maior do Projeto Inclusão Social, uma iniciativa estratégica do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que vai ao encontro da vocação: de uma corte que trabalha em dia com a cidadania.

O Projeto, de iniciativa do presidente da Casa, ministro Cesar Asfor Rocha, prevê diversas práticas inclusivas para oferecer às pessoas portadoras de deficiência acessibilidade física, digital e social. Capacitação de servidores para atendimento a pessoas com deficiência; realização de cursos de Libras; adaptação da infraestrutura do Tribunal para atender cadeirantes e deficientes visuais, promoção da Semana da Acessibilidade e outras ações já estão em pleno andamento.

A presença de deficientes auditivos na atividade de digitalização de processos nos quadros de apoio do Tribunal mostra que incluir dá certo. Afinal, todo ser humano tem o direito incondicional de participar ativamente da vida pública, sem qualquer restrição de credo, religião, posição política, etnia, opção sexual ou grau de deficiência.

Em face dos bons resultados obtidos com a inserção profissional dos portadores de deficiência auditiva, a presidência do STJ partiu para uma nova frente: em dezembro do ano passado, em parceria com Associação de Centro de Treinamento de Educação Física Especial (Cetefe), trouxe jovens portadores de Trissomia do Cromossoma 21, conhecido como Síndrome de Down, para trabalhar nas portarias do Tribunal, no serviço de apoio.

O X da questão

A Síndrome de Down é um distúrbio genético causado pela presença de um cromossomo 21 extra, total ou parcialmente no DNA do indivíduo. Recebeu esse nome em homenagem a John Langdon Down, médico britânico que descreveu a síndrome em 1862. Já a causa genética da disfunção foi descoberta em 1958 pelo professor Jerôme Lejeune.

A síndrome está associada a algumas dificuldades de habilidade cognitiva e desenvolvimento físico, assim como de aparência facial. Os portadores de Down podem ter uma habilidade cognitiva abaixo da média, geralmente variando de retardo mental leve a moderado. Um pequeno número de afetados possui retardo mental profundo. É a ocorrência genética mais comum em humanos. Estima-se que a incidência da doença seja de um em cada 660 nascimentos.

A idade da mãe influencia bastante no risco de concepção de bebê com a síndrome: aos 20 anos é de 1/1925; aos 25 é de 1/1205; aos 30 é de 1/885, aos 35 é de 1/365, aos 40 é de 1/110; aos 45 é de 1/32 e aos 49 de 1/11. Devido aos avanços da medicina, a expectativa de vida das pessoas com Down está aumentando nos últimos anos. Enquanto em 1947 era de 12 a 15 anos, hoje chega aos 60, 70 anos, o que se assemelha à média de vida da população em geral.

Vários aspectos contribuem para melhor desenvolvimento mental e social da criança com síndrome de Down: intervenção precoce na aprendizagem, monitoramento de problemas de saúde comuns à doença, tratamento medicinal sempre que relevante, um ambiente familiar estável e disciplinado, entre outros. Se por um lado, a síndrome salienta as limitações genéticas, por outro, também mostra que a educação pode produzir excelentes resultados. O empenho dos pais, professores e terapeutas garante uma vida mais digna para estas pessoas.

Todos aprendem

Comprometimento é o que não falta aos funcionários das portarias do STJ que estão convivendo com estes jovens. Em um esforço conjunto, eles ensinam, protegem e defendem a autonomia de suas “mascotes”. “A gente cuida deles como se fossem filhos da gente”, afirma Girleide Dourado, que trabalha ao lado de Alexandre de Oliveira Paulino, 22 anos, na entrada do Edifício Ministros I.

Nada do preconceito do passado, quando crianças com Down não tinham chance de se desenvolver, sendo rotuladas como pessoas doentes sem possibilidade de alfabetização e capacitação. “Aqui todo mundo aprende com ele (Alexandre), que é inteligente e se apega fácil à equ

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