Com o objetivo de promover a articulação e a união das instituições que compõem a rede de proteção da criança e do adolescente de Contagem, foi realizado no dia 19/11, o 1º Seminário de Abrigos do município. Estiveram presentes, o juiz da Vara da Infância de Juventude de Contagem, Paulo Rogério de Souza Abrantes, o promotor de Justiça, André Sperling Prado, a assistente social do Juizado da Infância e de Juventude de Belo Horizonte, Adriana Maria Nascimento Horta, a assistente social da Casa Novella, Cristiana Rodrigues, diretores e funcionários de abrigos de Contagem.
O juiz Paulo Rogério de Souza, ao abrir o evento, ressaltou a importância do seminário que, além de buscar a articulação dos administradores de abrigos, proporcionou um momento para refletir as ações desenvolvidas que visam atenuar as inúmeras dificuldades que vários menores têm encontrado junto a seus familiares.
Como esclareceu, o abrigo é um parceiro do Judiciário para o encaminhamento de menores que, temporariamente, são afastados da família, devido a denúncias de maus tratos, negligências e até casos de abusos sexuais, entre outros. Ele ressaltou a importância do trabalho dos assistentes sociais e psicólogos junto às famílias para a busca da reinserção dos menores ao lar.
O promotor André Sperling acentuou que os direitos fundamentais da criança e do adolescente, descritos no Estatuto da Criança e do Adolescente, ainda não são uma realidade, havendo um longo caminho a percorrer. De acordo com ele, há uma necessária preocupação com o meio ambiente, porém o mesmo não acontece com a materialização dos direitos dos seres humanos. "A prioridade absoluta deveria ser a criança", reforçou.
Ele acrescentou que, em Contagem, como no Brasil, as pessoas que se dedicam aos abrigos convivem com inúmeras dificuldades que poderiam ser minimizadas se houvesse ações concretas do Governo em benefício dos menores carentes. Ainda sobre os abrigos, o promotor entende que eles devem ser uma extensão provisória do ambiente ideal para as crianças. "O abrigo deve possibilitar ao menor as condições necessárias para que ele seja, o mais breve possível, reintegrado à família original ou à acolhedora", disse.
A assistente social, Cristina Rodrigues, relatou a experiência da Casa Novella, que desenvolveu um metodologia própria para trabalhar com as crianças em situação de risco social e pessoal no município de Belo Horizonte. Conforme disse, a Casa Novella realiza um trabalho com as famílias, buscando conscientizá-las da importância da relação entre as pessoas e da manutenção dos vínculos. Esse trabalho envolve uma análise e atenção à realidade vivenciada pelas famílias assistidas, como explicou.
"Ficar à frente da realidade da pessoas, escutando-as, é o caminho para encontrar a solução para qualquer problema, por me indicar os vínculos, indicar também a patologia, além de sugerir o tipo de intervenção e permitir uma hipótese para começar um trabalho familiar. O tempo é outra condição fundamental, porque é como se devesse acontecer uma nova gestação das pessoas. O tempo dado, que é o tempo da escuta, é o tempo no qual começa a surgir um novo vínculo com a família, onde emerge o aspecto educativo do relacionamento", sustentou Cristina Rodrigues.
Como resultado do seminário, os integrantes dos onze abrigos de Contagem concluíram que devem marcar reuniões para formalizar uma entidade para congregar seus interesses e buscar apoio junto à Câmara Municipal, igrejas e órgãos de assistência social do Estado. O seminário foi encerrado com a apresentação do Coral Curumim da Vila Pérola, de Contagem.
(Assessoria de Comunicação Institucional)