O presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Marcus Faver, defendeu ontem a união de todos os juízes para resolver a crise de justiça que o povo brasileiro enfrenta e que acaba conduzindo à crise da Justiça. Ele disse, ainda, que os processos precisam ser acelerados, não necessitando mais do que uma semana, "tempo suficiente para a criação do mundo". As declarações foram feitas durante a abertura do ano letivo da Escola da Magistratura do Rio (Emerj). "Independente de qualquer reforma constitucional sobre o Poder Judiciário, temos que trabalhar para alcançarmos resultados por nós mesmos", observou.
Marcus Faver disse que a sociedade brasileira está insatisfeita, desestimulada e angustiada com a falta de justiça e que isso explica revoltas, saques, agressões, invasões e linchamentos que ocorrem em algumas cidades. Ele pediu que os juízes trabalhem para amenizar a angústia que paira sobre a sociedade brasileira.
O presidente do TJ fez ainda dez recomendações para os alunos da Escola da Magistratura e para os juízes que assistiram a Conferência Magna: tratem os processos como se fossem um pedaço vivo do coração de alguém; um processo não necessita mais do que uma semana, que foi o tempo suficiente para a criação do mundo; não peçam que as partes provem o óbvio, porque o dia nasce sem certidão de nascimento e morre sem certidão de óbito; não transfira a responsabilidade que é sua; é sempre melhor uma decisão imperfeita do que ficar esperando uma melhor inspiração; é melhor um não honesto e imediato, do que um sim concedido ao cabo de interminável burocracia; abomine os processos frios, sem alma e sem coração; decida sempre como se o interessado no processo fosse o seu irmão e, finalmente, cuide do homem e não do papel.