Representantes das entidades parceiras do projeto ?Trabalho para a Vida?, da Corregedoria-Geral da Justiça, visitaram hoje (11/11) a Cooperativa do Chocolate ?Tülly?s? na Penitenciária Estadual de Charqueadas. A fábrica é fruto do programa, que busca disponibilizar vagas de trabalho e ensino profissionalizante a apenados do sistema prisional gaúcho. Atualmente mais de 30 instituições integram a iniciativa do Judiciário.
Desde 19/9, são produzidos bombons, alfajores e barras maciças, já com encomendas para o Natal. A produção artesanal é realizada por 12 detentos e a estimativa é de que sejam confeccionadas de duas a seis mil unidades mensais. O Laboratório de Química da PUCRS está iniciando a avaliação nutricional do produto para informar, entre outros itens, o teor calórico.
O Juiz-Corregedor Jorge Adelar Finatto, Coordenador do Projeto, salientou que o Judiciário acredita na ressocialização dos apenados por meio da oferta de trabalho. Na avaliação do magistrado, a iniciativa propicia oportunidade de vida melhor para aqueles que se encontram dentro dos presídios e também às famílias dos detentos. ?Aqui temos a concretização do ?Trabalho para a Vida? e, caso este projeto-piloto em Charqueadas obtenha êxito, poderá ser estendido para outras casas prisionais.?
O Superintendente da Susepe, Djalma Galtério, observou que a participação na cooperativa é um prêmio pelo bom comportamento e disciplina dos apenados. ?Procurem estimular os companheiros de cárcere com bons exemplos?, incentivou.
Dóris Couto, representante do Movimento Nacional dos Direitos Humanos e coordenadora da Cooperativa, destacou que além de aprenderem a fabricar chocolate, também estão sendo assimiladas noções de autogerenciamento, o que no futuro poderá gerar negócio próprio.
Depoimentos
É consenso entre os detentos que participam da Cooperativa que o aprendizado de um ofício contribui para a reinserção social. ?Quando eu sair daqui vou montar um estabelecimento comercial junto com a minha família?, declarou entusiasmado A.S.B., 24, cumprindo pena de nove anos.
Para J.F.P.S., 30, cumprindo reclusão de três anos e igual período em regime semi-aberto, a chance de reabilitação da prisão é mínima e o projeto facilita o retorno à sociedade.
?Aqui a gente aprende a fazer alguma coisa, ocupa a cabeça com o serviço e não perde tempo pensando bobagem?, disse R.G., com 22 anos de idade e pena de 18 anos. Promete convicto, que ao recuperar a liberdade, será um cidadão digno, trabalhará muito e viverá com correção.
(Lizete Flores)